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A capital dos galpões

UOL

As vendas online cresceram cerca de 60%, numa comparação entre o primeiro trimestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2020, e se popularizaram com a pandemia (13 milhões de brasileiros fizeram a primeira compra online no período). As entregas no mesmo dia são uma realidade nos grandes centros, e o próximo passo é bater na porta do consumidor em até uma hora, sem cobrança de frete. O avanço se adaptou rapidamente ao atraso social do Brasil, chegando às favelas e concorrendo com as lojas das redondezas. Cajamar é uma mostra disso.

Há 200 anos, nossos antepassados sabiam a origem de cada alimento ou ferramenta, dentro da variedade limitada que os cercava. De lá pra cá, a oferta cresceu exponencialmente a cada década, mas o conhecimento sobre ela foi reduzido, ao ponto da total obscuridade. Hoje, a desconexão entre a produção e a distribuição nos leva a uma lógica quase mágica quando apertamos um botão e o objeto pixelado se materializa horas depois diante de nós.


No início de 2021, Cajamar contava com 1,3 milhão de m² de depósitos cobertos, mas há planos para mais que duplicar essa extensão. Essas catedrais do consumo digital não chamam atenção por sua arquitetura, mas por seu tamanho. São caixotes brancos de até 12 metros de altura, na maioria das vezes assentados sobre morros retificados com gigantes degraus de grama. O que foi visitado pela reportagem do TAB possui 150,5 mil m², área superior à do Santuário Nacional de Aparecida.

Em cada lateral dessas colinas, há escadas de concreto, onde só é permitida a circulação das águas da chuva. Os visitantes, dentro de caminhões ou carros, chegam ao topo por rampas de asfalto e depois passam por cancelas, guichês, catracas, sensores de metal e dispositivos de reconhecimento facial.