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Brasil tem recorde de 29% dos desempregados em busca de trabalho há mais de 2 anos, aponta Ipea

Estadão



O desemprego de longo prazo alcançou patamar recorde no País no terceiro trimestre. Quase 30% dos cerca de 13,5 milhões de desempregados estavam em busca de uma vaga há mais de dois anos, maior porcentual de pessoas nessa situação em toda a série histórica iniciada em 2012, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Além disso, o emprego sem carteira assinada cresceu mais do que o trabalho com carteira em todas as atividades econômicas que abriram vagas em relação a um ano antes.


O estudo tem como base os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).


O aumento do tempo de permanência no desemprego é mais um indício de que a situação do mercado de trabalho continua desafiadora, apontou o Ipea. No pré-pandemia, no primeiro trimestre de 2020, o porcentual de desempregados em busca de trabalho há dois anos ou mais era de 23,9%. Essa proporção alcançou um ápice de 28,9% no terceiro trimestre de 2021. Segundo Maria Andreia Lameiras, uma das autoras do levantamento do Ipea, quanto mais tempo o trabalhador fica sem emprego, mais ele sofre desconfianças sobre ter as habilidades necessárias para novas vagas.


“Esse cara, que fica tanto tempo fora do mercado de trabalho, tem mais baixa escolaridade. Ele já estava fora do mercado quando veio uma pandemia, que deixou muita gente qualificada sem emprego. As empresas vão primeiro voltar a contratar essas pessoas mais qualificadas, com mais escolaridade, há menos tempo procurando vaga. Quem está há mais tempo desempregado vai ficar no final da fila. Ou ele vai ter que fazer algum tipo de qualificação para conseguir se recolocar, ou vai voltar para o mercado quando tiver muita geração de emprego para contratar todo mundo que está na frente dele na fila. A gente sabe que isso não vai acontecer em 2022”, disse a técnica do Ipea.

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