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Os faria limers estão voltando aos escritórios com o aluguel mais caro

Bloomberg Linea



O Birmann 32 é um colosso de aço e vidro insulado de 125 metros de altura, na esquina da Faria Lima com a rua Leopoldo Couto de Magalhães. O B32 tem 57 mil metros quadrados para locação, em 25 pavimentos. O prédio corporativo, considerado o mais moderno de São Paulo, foi projetado pelo arquiteto chinês Chien Chung Pei, ou Didi Pei, do escritório Pei Partnership Architects (Didi é filho de I.M.Pei e trabalhou com o pai nos projetos da pirâmide de vidro do Louvre, em Paris, e da ala leste da National Gallery of Art, em Washington). Diferente de outros edifícios na Faria Lima isolados urbanisticamente, o Birmann 32 é voltado para o entorno, com uma praça e teatro abertos ao público. Foi entregue em julho do ano passado, quando ainda não havia vacina à vista.


“Houve, é claro, um pouco de apreensão se alguns dos contratos podiam não ser concluídos por causa de toda a incerteza quanto à pandemia, mas isso não aconteceu. Fomos muito bem recebidos”, contou Rafael Birmann, o incorporador que levantou o B-32, em entrevista à Bloomberg Línea.


No mercado estima-se que o prédio tenha mobilizado R$ 1,2 bilhão em capital para ser erguido. Dos 25 andares, há apenas um ainda disponível para a locação (preço: R$ 235/m²) e o maior ocupante é o Facebook, com quase metade das lajes locáveis.


Na praça do B-32, está em construção a estátua de uma baleia de metal (em tamanho natural) – metáfora a Jonas, personagem caro às tradições judaica e cristã por ter sido engolido por uma baleia e, depois, renascido para uma nova vida. De certa maneira, a baleia do B-32 é uma metáfora que serve também ao mercado imobiliário da Faria Lima. Depois de ter sido engolido por uma crise que esvaziou escritórios na pandemia, a reocupação dos espaços vem acontecendo à medida em que o ritmo da vacinação se acelera. Depois da marca de 100 milhões de brasileiros vacinados, gestores de ativos imobiliários da região vêm duas métricas se recuperarem: a vacância está caindo e os preços de locação, subindo.


Geograficamente, a região da Faria Lima é um retângulo de cerca de 450 mil metros quadrados, entre a avenida 9 de Julho e a rua Elvira, depois da JK. Neste espaço, equivale a um terço da área do Ibirapuera, estão 26 empreendimentos de alto padrão com pouco mais de 465 mil m² e a nata do capitalismo brasileiro.


No ano passado, com a pandemia, o preço da locação em prédios das classes A+ e A da região estava na casa dos R$ 165/m². No final do setembro, segundo o dado da SiiLA, empresa com atuação em dados e análises do mercado imobiliário da América Latina, a média do preço pedido na Faria Lima era de R$ 183,88/m² – é quase o dobro do valor pedido por m² em prédios da mesma categoria que a média das demais regiões corporativas de São Paulo (R$ 95,05).


Alguns negócios de locação – em prédios icônicos da Faria Lima – têm sido fechados a um patamar acima dos R$ 230/m2 nos últimos dias.


Em setembro, Blue Macaw e a Catuaí Asset compraram seis dos 18 andares do famoso Pátio Victor Malzoni (9.500 m²). Destes, quatro andares estão alugados ao Google e os outros dois para locatários diversos. A transação envolveu de R$ 350 milhões. O prédio também abriga a sede do BTG Pactual.


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